Friday, February 23, 2007

Triologia das Pequenas Vitórias 3: A fuga... para o lado!

O meu meio de transporte em Amesterdão tem sido da bicla! É rápido, cómodo (se não chove), é divertido e é até faço exercício: é mesmo uma boa experiência!

E. agora que me aproximo perigosamente dos 31 (ai!!), dá para recordar um pouco as minhas férias de há 20 ou 25 anos (é uma bocado assustador mas já posso dizer isto!!) em que passava o dia a andar de bicicleta na casa dos meus avós em S. Martinho do Campo. Recordo-me que, na altura, passava grande parte do tempo em corridas com o meu irmão, e tinhamos uma jogo muito engraçado que era ver quem acelarava mais e se enfiava contra uns arbustos. Não nos magoavamos muito mas os meus avós ficavam doidos com darmos cabo dos arbustos. Muito fixe, mesmo... :)

Por aqui não me tenho dado mal com a bicla. Faz-me um bocado de confusão não ter as travões de mão e ter de travar com os pés... mas vou andando! E não é nada cansativo porque é praticamente tudo plano, com pistas com piso alcatroado, só para bicicletas.

Mas logo nos promeiros dias, confesso que cometi alguns erros. Já nem falo de pequenos acidentes, como subir um passeio sem querer porque me esqueci que se travava com os pés, ou de não perceber que estava a andar em contra-mão numa pista de bicicletas (ningéum me dava máximos, eu não percebi!!). É que há os semaforos aqui são perigosos....

Em grande parte das ruas há 4 meios de transporte possíveis: veículos motorizados, metro ligeiro (tipo o nosso do Porto mas eles também têm subterraneo e comboio por isso há aqui uma grande difernça nas alternativas), bibicletas e pedantes (pessoas que andam a pé, claro...). Por isso, os semáforos têm ciclos complicados. Primeiros os carros de um lado, depois do outro, depois o metro, depois as biclas, etc... Os cruzamentos parecem árvores de natal com tantas luzinhas a acender e a apagar. O tuga (nomeadamente eu) tem dificuldade em respeitar os semáforos mas o mais engrçaado é que os ciclistas holandêses também. E isso é demasiado estimulo para um tuga desrespeitador de semáforos. Por isso, nos primeiros dias isto era tudo meu e desde que não visse nada avançava.

Tudo muito bem até ao dia em que o Jarmo ia sendo feito em pasta de salmiakki por ter passado ne vermelho, depois de eu ter passado no vermelho porque um holandês também já tinha passado no vermelho... Nessa altura reconsiderei a minha atitude e comecei a esperar nos semáforos.

Mas os ciclos são longos, primeiro os carros depois o metro.... depois ... depois... Ganda seca.

Na semana, a caminho do Instituto, passada encontrava-me num semáforo que estava fechado para os carros, as biclas e os peões. Estava no ciclo de passagem de metro, que entretanto demorava. No semáforo esparava eu e mais uma betoneira amarela, massiva. O tempo passava e estavamos todos com vermelho... mas nada! O metro não vinha... Eu comecei a olhar para o camionista, e pareceu-me um tipo bastante psicopata e por isso deceidi esperar... Esperar... esperar...

Até que desesperei e decidi avançar mesmo no vermelho. Arranquei a todo o gás! Nesse preciso momento, como não poderia deixar de ser, cai o verde para os carros e o camionista psicopata acelera a fundo a sua betoneira que avança decididamente sobre mim! Ao ver-me a cruzar-me à frente dele, o assassino decide acelerar aida mais obrigando-me a fazer uma diagonal em direcção ao centro do cruzamento. E eu a pedalar, a pedalar, cada vez mais rápido para poder fugir à betoneira!!

Consegui safar-me por pouco!! O tipo era marado! Por acaso não buzinou, senão ai ficava surdo! Mas acho que ele não quis buzinar que era para me atropelar sem ninguém dar por isso! Por acaso, haveria registos fotográficos porque um peão anónimo tirou-me uma foto no momento da fuga em diagonal. Deixo-vos aqui este belo instante fotográfico em que pedalava a grande velocidade para fugir da betoneira!!



A legenda da imagem é: "Oh Maior!!! Se te apanho fora da betoneira faço-te em pasta de salmiakki!!!! " :)

Wednesday, February 21, 2007

Triologia das Pequenas Vitórias 2: Truces Lavados!

Uma das coisas que mais me preocupava na vinda para Amesterdão era, por incrível que pareça, ter de lavar roupa ou arranjar forma de ela aparecer lavada! Neste últimos tempos em Portugal, habituei-me a viver no meu apartamento no Porto como quem vive num hotel graças aos serviços tão eficientemente prestados pela D. Elisa! Mas, das várias coisas possíveis que me poderiam causar ansiedade nesta vinda para o exterior (contam-se por exemplo: a almofada diferente, a falta de café de jeito, o quarto-de-banho tipo cabine telefónica dos anos 30, a inexistência das minhas bolachinha de pequeno almoço, etc...) a falta de uma solução fácil para esta questão era uma das minhas preocupações principais e diárias.

Na semana passada, tendo as minhas reservas de roupa quase esgotadas, decidi que era urgente arranjar uma solução. E a solução não iria passar por usar a mesma roupa interior várias vezes, recorrendo a um esquema de rotação com a roupa a estagiar 3 dias na varanda do meu quarto. O Jarmo tinha-me dito que havia uma lavandaria numa rua aqui próxima que só lhe tinha levado 5 euros por 5 kg de roupa. Porreiro... Chegava-se lá, deixava-se a roupa e passadas umas horas ia-se lá buscá-la!

Confesso que estava um pouco preocupado em levar a minha quase roupinha toda lá para a lavandaria... É que na semana passada ainda não estava assim tão entruzado com os turcos como estou agora ("Oh Maiormed!" é assim que eu agora chamo os Mohameds, uma mistura entre o seu nome e "Oh Maior!") e tinha medo de ver as minhas Levi's 501 a ganharem outras pernas e a desaparecerem....

Levei a minha roupa num saco plástico do Corte Inglês que trouxe de Portugal e lá fui andando pela Rua de Java até encontrar uma lavandaria. Esta lavandaria não era como aquelas que estamos habituados a ver nos filmes americanos. Não estava ninguém a ler um romance, enquanto espera que a roupa seja lavada ou secasse. Era mais simples: apenas as máquinas e um homem ao fundo à espera que alguém entre. Numa das paredes, estavam suspensas várias prateleiras cheias de sacos de roupa lavada. A outra parede era forrada a máquinas de lavar e de secar que laboravam a meio-gás.

O homem, de meia-idade e de pele escura, aproximou-se. Era simpático e sorriu imediatamente para mim. Perguntou-me se era para lavar, eu disse que sim: "São 6 Euros". Pensei que estaria a ser indrominado:então não eram 5 euros por 5 kilos? E eu nem 3 kilos de roupa tinha de certeza, porque não quis trazer a roupa toda não fosse o diabo.... Mas achei que não tinha condições para discutir: o que é mais 1 euro para ter a roupa limpinha! A verdade é que depois vim a saber que o Jarmo foi a uma outra lavandaria que havia mais à frente por isso não estava a ser indrominado.

Ao fim da tarde, voltei para buscar a roupa. O homem voltou a ser simpático comigo e foi-me buscar o saco de roupa. Que fixe. Roupinha lavada e bem cheirosa: um dos meus grandes problemas holandeses resolvidos!! E estava lá todinha! Sou mesmo desconfiado: desnecessariamente...

Hoje voltei lá, já com o Jarmo, para uma segunda recarga de roupa. Mas desta vez já levei os truces para lavar: é que da primeira até tinha vergonha.... :)

Saturday, February 17, 2007

Triologia das Pequenas Vitórias: O Mafioso Local

Estou em Amesterdão há quase duas semanas e aos poucos vou-me sentindo mais integrado nesta cidade.

Na verdade, é fácil viver em Amesterdão. Tudo parece ser bastante perto de tudo. As distâncias são curtas e em 15 a 30 minutos de bicicleta. Eu moro numa pracinha chamada Ceramplein muito engraçada, na parte oeste da cidade a cerca de 15 minutos do centro. A zona chama-se Bairro Indiano e é essencialmente habitado por emigrantes vindos da índia, paquistão, turquia e por outro género de desterrados como estudantes de doutoramento. Do Google Maps tirei este mapa que mostra exactamente a zona onde moro. Em cinco minutos de bicla chego ao Oosterpark e dai apanhi um dos aneis que circundam Amestedão (Mauritskade) e consigo colocar-me em qualquer ponto. Até ao centro sigo pela Weersperstraat, ou pedalo nas margens do Amstel até chegar à Casa da Música cá do sítio que é em Waterlooplein. E são 15 minutinhos... Basicamente, já domino o sítio e já não me perco! Aliás estou tão integrado que já me pedem informações.

Noutro estava com o Jarmo numa das zonas mais giras de Amesterdão (o bairro Jordaan, que fica no centro mas já mais para noroeste) e estava lá 3 cromos lisboetas que andavam meios perdidos. Eu, como qualquer Amesterdanense estava a tirar o cadeado da minha bicla e ia ouvindo a conversa dissimuladamente, como se fosse um mafioso convicto, habituado a controlar. E ouvi: "Ô pa!" (que é "Oh pá!" mas com dicção de Lx) "Estamos perdidos..." dizia um". E o outro: "Mas ô maior! Era por aqui!" "Voces san todos os uns atados: parecem do Porto!" disse um, que me pareceu ser o lider do rebanho. Mas eu eu aí registei a observação! Calado, mas a registar!...

O líder do rebanho, como qualquer bom lider latino, decidiu insultar mais os amigos e depois tomou o assunto em mãos "Da ca o mepa que eu veu ali perguntar, pa!" (Tradução Lisbones-Português: "Dá cá o mapa, que eu vou ali perguntas, pá!"). E o gajo dirige-se a mim, com um sorriso típico do tuga envergonhado que acha que se se rir muito as pessoas o vão ajudar! Eu é que me estava a rir para dentro... He he he...

E depois com aquela pronuncia de tuga "Escuse mi. Ken uie plise telmi uere uui ar nau in disse map?" (Tradução lisbonense a tentar falar inglês - Inglês): "Excuse me. Can you please tell me where we are now in this map?"). E eu respondi: "Oh maior: tu é português, não és?" E ele fez um sorriso meio alividado, como que a pensar "Eh pa! está aqui um tuga que me vai ajudar!"... As outros dois elementos de rebanho aproximaram-se, sorridentes, como se tivessem vislumbrado pasto novo...

Falamos um bocado. "Nós somos de Lisboa, estás cá a morar?" "Viemos de férias 3 dias...", "Ia meu.... etc etc.. e o camano". E já estavamos em amena cavaqueira com o Jarmo à espera. Mas lá peguei no meu mapa, que era bem mais detalhado que o deles (alfaces tó-tós) e expliquei-lhes a onde estavamos "Iá e o camano..." e apontei-lhes no mapa deles: "E agora, estão a ver aquela ponte... não é na primeira, não é na segunda, passam a terceira e depois viram na quarta à esquerda.... Estão a ver?" "Ia meu!"... "OK! Então boa sorte e chau...", "Chau pá!". E lá foram...

Obviamente, não podia deixar de dar uma maozinha: não era na quarta ponte era na primeira e eles devem ter ido parar a um bairro turco qualquer de onde para sairem devem ter tido de vender o relógio a um Mohammed que ainda lhe deve ter ficado com as camisolinhas de marca.... Agora que vivo no bairro Indidano gosto de dar uma maozinha aos meus vizinhos turcos... He he!

POOOOOOOOOOOOOOOOOOOORTOOO

Efectivamente, sem moralizar! :)

Monday, February 12, 2007

Umas coisinhas sobre o Maniche Filandês

Não sei se já reparam na foto de baixo mas o Jarmo parece-se com o Maniche, nos tempos áureos desse eloquente jogado (ao nível de um Petit ou Paulo Bento)... E venho a descobrir algumas coisas acerca do Maniche... quero dizer do Jarmo... à medida que o tempo passa.

Já tinha reparado que o rapaz tem um certa tendência para emborcar cerveja. A grade de 24 cervejas foi em 4 dias e eu juro que só bebi uma ou outra. Já vamos a meio da segunda grade. Mas ele além de beber muito, não para de comer. Agora que acabaram os Super Salmiakkis (que felizmente não há aqui na Holanda porque eu já não aguentava com o sabor a pasta de dentes daquilo) ele comprou uns chocolates pequenos que vêm num saco grande. Ele não consegue parar de comer os chocolates. Diz-se sempre "Estes são os últimos!" e lá come o chocolate. Passados 2 minutos "Não, não: estes é que é mesmos os últimos!" e aspirar mais uns cinco...

Quando ele finalmente se controla, eu espero meia hora e depois digo: "Oh Maior! Aqueles teus chocolates são muito fixes!!" E ele diz São, não são, pá! Vou buscar! Queres??". E eu digo: "Nã nã... deixa lá... Come tu!...". E ai ele come alarvemente mais uns 10 cocholates.... Mas são os últimos, claro...

Mas ele não é esquisito: está sempre a comer! É impressionante! É que depois atrapalha: no domingo fomos andar de bicla, e ele estava sempre a querer parar para morfar qq coisa: ou é uma fatia de pizza turca, ou é um café ou é um coca-cola porque tem sede. FDS! Que o gajo não para de dar aos queixos em vez de pedalar!! Pedala oh maior! Pedala!!

Agora a parte mais negra da personlidade do Jarmo é que ele tem uma certa tendência para o ócio, o que aliás me parece muito perigosa aqui em Amesterdão... É que agora que estamos pendurados na rede do vizinho, o Jarmo passa o tempo a jogar poker pela internet. Mas a dinheiro!! Ele faz torneios de 150 dolares! E parece que se vai dando bem e ganhando umas coroas com isso... De vez em quando sai-lhe um "FDS!! O gajo tinha o flush!! Perdi 50 euros!!". Entretanto sorve mais uma cerveja e morfa 3 ou 4 chocolates.... Eu vou dizendo: "Eh pá! Ganda seca.... Força ai: torra mais dinheiro!", enquanto vou escrevendo no blog!

É isso ai o maior! "Casino Ceramplein: fete vos juex!!"

A minha bicla!!

Hoje tive um dia muito longo e não consigo escrever muito no blog. É que foram muitas coisas que tive de tratar.... ufa.....

Mas deixo-vos aqui uma imagem da minha bicla.

É usada mas é porreira. Tem luzinha à frente e atrás! Reparem que não tem travões de mão. Mas é muito porreirita. E anda bem... Comprei também uma corrente poderosissima, por causa das coisas. Assim não há turco que a leve!

Por falar em turco, banho-turco, banho! Hoje apanhei um banho dos grande a vir de bicla para casa. Estava a chover e estava frio. Doi-me a garganta :(

Ah! Mas voltando às coisas giras: ainda não consigo sacar piões mas ando a tentar.... :)

Sunday, February 11, 2007

Eu acho que isto é um bocado de exagero...

Este assunto é um bocado pesado e quem acabou de jantar deve passar à frente. Eu até nem coloquei pistas no título porque achei que poderia causar reacções indesejadas em quem ler.

Eu já sabia que os holandeses gabam-se de ter um território plano, que pode ser atravessado calmamente de bicicleta. Eu próprio o pude comprovar e foi com muito gozo que hoje andei de bicla por Amesterdão, mesmo com a ocorrência pré-obituária, em que o Jarmo ia quase ficar feito em pasta de Salmiakki.......

Mas o que é demais é exagero!! Tenho vindo a verificar uma coisa que, apesar de ter reparado logo no primeiro dia que aqui cheguei, só agora, passado quase uma semana, é que me sinto com exemplos suficiente para dizer que isto é generalizado.

É que os holandeses levam isto do plano muito a sério e, pelos vistos, até as sanitas são planas. Planas mesmo!! Não têm aquela pequena inclinação que faz com que as deposições sigam o caminho apontado pela força da gravidade. Eu não quero entrar em grandes detalhes e achei que por uma foto aqui não era apropriado, mas acho que é deveras intrigante...

No entanto, depois de fazer algumas observações - várias por dia em diferentes modalidades - percebi que pode haver alguma coisa de bastante perspicaz na opção "sanita plana". É que a àgua proveniente do autoclismo faz um efeito de redemoinho quando atinge a zona plana da sanita e o resultado total de remoção parece ser mais eficiente, MAS com menos água.... Mas não sei se é só impressão minha.

Será que há alguém que percebe da hidrologia que possa comentar??? Para mim é um mistério!...

Amsterdam by Night!!

Sexta-feira fui passear à noite! Aqui estão algumas fotos do ambiente nocturno de Amsterdam.







Claro que não tirei fotos no RLD porque fiquei um bocado com vergonha de ficar especado perante tanta tipa descascada!! Um bocado de exagero, digo-vos.... Há de todo o tipo! Que cena marada!!