Saturday, April 28, 2007

Parece as Fontainhas!!

Aproxima-se aquela que é considerada possivelmente a maior festa da Holanda: o Dia da Rainha! E a cidade parece que fica louca, qualquer coisa tipo S. João do Porto! Para já os ciganos cá do sítio (que devem ser os turcos) já instalaram na Dam (a praça que está construida sobre aquilo que se diz ter sido os primórdios de Amsterdam) os vários objectos de diversão, do estilo americano! Algumas imagens:








Mas faltam os carrinhos de choque! E as sardinhas assadas! E os matrecos!!!
Tenho saudades da Invicta Cidade!! E de todos que lá estão!....

Soma simples

Viver numa casa, com um quarto de banho miniatura e sem lavatório
+
Ter único espelho da casa na cozinha
+
Chegar do Club 11 às tantas da manhã
+
Comer qq coisa antes de deitar (bolachas de aveia do Albert Heijn)
+
Lavar os dentes
=
acordar e ver a cozinha assim:

Patrick: o Boina Verde Italiano

Tenho um novo companheiro de apartamento: um italiano de nome Patrick Diviacco! É um tipo divertido, com 23 anos, e com um gosto musical muito mais próximo do meu que o que Jarmo tinha. Na verdade agora já não preciso de ouvir a longas sessões de Phil Collins e de música pop dos anos 80 que o Jarmo tanto gostava e que acompanhava com comentários "This is really good music...". Agora ouço, ou ouvimos coisas mais avançadas, e de qualidade bem melhor. Por isso, para já, e enquanto a Máfia não tomar conta do apartamento, é fixe estar aqui com o Don Diviacco!

Uma das coisas em que decidi logo ajudar este italiano - não vá ele pertencer a alguma família influente no ramo das "limpezas" - foi na compra de uma bicla. Decidimos por isso ir à loja de biclas aqui perto em Muiderpoortstation que é aí a uns 15 minutos a pé daqui. Mas como é só a 3 min de bicla disse-lhe:

"Oh tifosi! Vene qui! Vamos fazer assim: eu levo a minha bicla e tu vais atrás sentado sobre a roda, capice?"

"Oh Luigi! Capisco, capisco! Ma é securo?"

"Oh maggiore! Claro que é seguro! Só tens que sair da bicla quando eu estiver para parar porque não tenho potenza para arrancar contigo com a bicla parada. E para arrancarmos eu começo a pedalar devagarinho e tu entras em locomozioni! Capice?

"Capisco! Va bene!"

Muito fixe. Lá fizemos um teste aqui à porta de casa e correu bem! Ele consegiu sentar-se com a bicla posta em andamento por mim, e quando nos aproximamos do primeito semáforo, mesmo antes de parar, eu disse "Sai agora!" o tifosi lá saiu da bicla.

"É isso ai, Patrick! És italiano mas percebes rápido! Ehehe!"

"Ma que dizes? Italiano che?..."

"Nada, nada pá! Estás a ir bem! Já sabes, quando eu fizer o sinal tu saltati, ok?..."

"OK! Io saltati!"

E lá entramos na rua que nos leva até à Muiderpoortstation. É uma longa rua com uma pista larga para biclas que dá para acelerar muito. É uma espécie de auto-estrada de biclas. Eu começo a dar de gás, o que é complicado inicialmente, mas uma vez embalado, uma bicla com mais de 150 kg atinge pelo menos 35-40km/h. Muito fixe!

E lá nos aproximamos da Muiderpoortstation e quando estavamos a uns 200 metros, ainda a grande velocidade, eu disse:

"OK! Estamos quase a arrivare! É ali!"

Curiosamente não consegui acabar a frase, e senti a bicla muito mais leve: a primeira palavra - "OK" - foi, para grande espando meu, lida pelo Patrick como sinal para SALTAR, mesmo a uns bons 40km/h!

Quando olho para trás, nesse mesmo segundo (tido isto se passou num espaço de 2 segundos) vejo o Patrick todo enrolado pelo chão, tipo bola de bowling!!! O tifosi deu uma boas 4 ou 5voltas antes de parar em cima dos arbustos laterais todo espatifado e a dizer palavrões em italiano!

Eu não estava a acreditar!! Como é que o gajo saltou da bicla a 40Km/hora! Mas ele nunca saiu de um autocarro em andamento quando era pequeno??? Eu não conseguia parar de rir!! Coitado do italiano! Um braço todo esmurrado e um par de calças rotas!

Eu acho que ele deve ter treinado nos Paraquedistas Italianos antes de vir para aqui! O salto da bicla foi mesmo tipo aqueles filme de para-quedistas, com os desgraçados a saltarem do avião a grande velocidade!

O pior é que a loja de biclas, ainda por cima, estava fechada!! Ehehe! Patrick, só tenho uma coisa a dizer-te:

MARCO BELINE É CHE SÁBÉ!!

Thursday, April 19, 2007

Tinhas razão Fernando...

E vou tencionar escrever este blog em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-lo
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Monday, April 16, 2007

Canhoto FM

Bom dia caros ouvintes da Rádio Canhoto FM e obrigado por estarem ligados a nós.

Após uma semana de grande instabilidade, com temperaturas a rondarem os zeros graus, especialmente nas zonas mais intimas do interior, e com incompreensíveis aguaceiros frequentes depois do anoitecer, o sol brilha de novo na planície.

São esperadas para esta semana temperaturas médias bem mais agradáveis com a diferenças entre a mínima e a máxima muito reduzidas. O céu estará limpo e não se vislumbram, pelo menos para os próximos dias, sinais de núvens pesadas vindas do passado. O vento sopra fraco de sul, e a ondulação manter-se-a inferior ao 50 cm.

Voltaremos depois das notícias, mas para já fiquem com The Fallen dos Franz Ferdinand.

Fiquem connosco!

Radio Canhoto FM a emitir em 31 Mhz de Frequência Moderada!

Até já...


So they say you're a troubled boy
Just because you like to destroy
All the things that bring the idiots joy
Well, what's wrong with a little destruction?

And the Kunst won't talk to you
Cause you kissed St. Rollox adieu
Cause you robbed a supermarket or two
Well, who gives a damn about the profits of Tesco?

Did I see you in a limousine
Flinging out the fish and the unleavened
Turn the rich into wine
As you walk on the mean
Well the fallen are the virtuous among us
Walk among us
Never judge us
Yeah we're all...
Up now and get 'em, boy
Up now and get 'em, boy
Drink to the devil
and death to the doctors!

Did I see you in a limousine
Flinging out the fish and the unleavened
Five thousand users fed today
Oh as you feed us
Won't you lead us
To be blessed

So we stole and drank champagne
On the seventh seal you said you never feel pain
"I never feel pain, won't you hit me again?"
"I need a bit of black and blue to be a rotation"

In my blood I felt bubbles burst
There was a flash of fist, an eyebrow burst
You've a lazy laugh and a red white shirt
I fall to the floor fainting at the sight of blood

Did I see you in a limousine
Flinging out the fish and the unleavened
You turn the rich into wine
Walk on the mean
Be they Magdalen at Virgin you've already been
You've already been and we've already seen
That the fallen are the virtuous among us
Walk among us
Never judge us
To be blessed

La la la la la la la la la la la la la la la la la la la...

So I'm sorry if I ever resisted
I never had a doubt you ever existed
I only have a problem when people insist on
Taking their hate and placing it on your name

So they say you're troubled boy
Just because you like to destroy
You are the word, the word is 'destroy'
I break this bottle, think of you fondly

Did I see you in a limousine
Flinging out the fish and the unleavened
To the whore in a hostel
Or the scum of a scheme
Turn the rich into wine
Walk on the mean
It's not a jag in the arm
It's a nail in the beam
On this barren Earth
You scatter your seed
Be they Magdelan or Virgin
You've already been
and you've already seen...

wahoo! wahoo! wahoo!

Yeah! You've already been,
you've already seen
That the fallen are the virtuous among us
Walk among us
Oh if you judge us
We're all damned.

Sunday, April 15, 2007

Tou-te a micar ó Maior!

Uma das coisas que tenho aperfeiçoado aqui em Amesterdão é a minha capacidade de intuir a nacionalidade das pessoas com quem me cruzo, ou vou falando, sem que eles me precisem de dizer. E é giro, porque me parece que numa cidade destas, esta capacidade é generalizada e toda a gente desenvolve a intuição de perceber a nacionalidade, ou pelo menos a parte do mundo, das pessoas com quem se cruza.

Claro que a capacidade não é igual em todos os casos. Ou seja: eu não consigo perceber se o Mohamed do lado é do Libano ou do Irão mas consigo perceber se um qq pintas é espanhol ou fraçu, ou italiano, ou português MESMO que não abram o bico. Mas o engraçado é que é mais fácil do que o que parece, e eu não sabia que tinha esse fabuloso poder.

No caso dos portugueses, então, mico-os em menos de 1 segundo. Há qualquer coisa no olhar lusitano que é imediatamente acusador da proveniência. Um olhar naturalmente curioso, elástico, rápido, comunicativo, ou, quando devidamente alcoolizado, disperso, introspectivo, profético até, pensando num qq verso de Fernado Pessoa do tipo "Falta Cumprir-se Portugal" enquanto os strobes de uma discoteca lhe iluminam e queimam a face erguida, e o atiram para um qualquer dia de verão nas praias do Alentejo... Ou isso, ou um verso mais popular do tipo "O que tu gostas sei eu" olhando de soslaio para um loira qualquer que dança mais depressa que qualquer descendente de viriato consegue piscar os olhos... "Oh diabita loira" - pensa - "dança dança que logo vês os brandos costumes...".

Bem: mas imediatamente tira-se a pinta. O tipo é tuga!

Claro que há outras coisas que ajudam: um bom tuga tem sempre uma camisinha de marca, ou um sapatito de vela. Um bom tuga insiste em usar a t-shirt da throtleman que tem um boneco que só os portugueses acham piada. Eu por exemplo, tenho várias! E uso-as de facto, como bom português que sou.

Aliás, uma vez quando estava no instituto, e perante o inglês martelado da t-shirt, um americano que lá estava perguntou-me: "oh maior, isso que está ai é inglês?" E eu olho para minha t-shirt, e o tigre qe lá estava, jingão, de óculos escuros e vestido de bermudas dizia de facto "I will put you some cream" num cenário balnear. Perante a pergunta, fiquei a percber que tinha uma t-shirt que dizia um grande bacorada, como muitas que os portugueses usam... E como bom português, também me saiu logo a resposta, e disse, de imediato, como que sacando da vara de campino:

"Oh menaço!" - como ele é americano trato-o por menaço - "tu não estás a ver... Isto é uma piada a um tuga que é o terror do Algarve... O tipo é o devorador de inglêsas e consegue isso, sem sequer falar inglês: manda bitaites destes e lá consegue o que quer. O gajo não é um poeta, mas é prático. É um hell raiser do caraças!!"

E rio-me! Ahahah!

Mas rio-me sozinho.

Eles não perceberam mas ficaram esclarecidos acerca dos portugueses... E eu também! É que o bom português tem como idolo o grande Ze Zé Camarinha: o tigre comedor de bifas!

Bem, mas relativamente a esta capacidade vejo que não é exclusivamente minha, e os outros tugas, turistas ou não, também percebem que eu sou tuga. Aliás, há sempre aquela cena ridicula de eu olhar para um gajo que me parece tuga, e o gajo nesse momento olha para mim e vejo pela expressão que o gajo está a pensar o mesmo que eu.... É do caraças!

Mas ai surge uma coisa muito engraçada, e também muito reveladora do carácter dos portugueses. Há, quase de imediato, um apelo a cumprimentar o outro português. E surge essa vontade forte como um instinto da natureza... Mas exactamente ao mesmo tempo pensamos os dois:

"eh pá, eu não vou estar aqui a cumprimentar um gajo só porque é português. Que coisa mais de provincia!! E nós portugueses somos um povo do mundo, espalhado por todo lado, e portanto não somos de provincia. Fomos nós que descobrimos o mundo todo no tempo daquele gajo... como é que ele se chamava... ai como era?.. Foda-se! Não interessa: vou é ignorar o tuga campónio, que eu não sou desses..."

E ignoramo-nos mutuamente, ignorando também que isso só demonstra o nossos vários complexos tipicamente lusitanos. O acordo tácito de altivamente ingorar o outro é, aliás, a prova final que se trata mesmo de um português!! Muito fixe...

Mas uma outra coisa que isto revela é que EU tenho mesmo cara de tuga. Em tempos, os meus olhos azuis e o cabelo claro ainda me valiam alguma distinção entre os colegas mais morenos da escola. Ainda ouvia coisas, que me deixavam a sentir de certa forma especial, do género:

- "oh Canhoto! Sabes uma coisa, pá?"
- "Não oh maior: diz..."
- "Tu com essa cara até pareces estrageiro, sabes? Grande estilaço, oh méne!"
- "Estrangeiro, pá?" - e perguntava, curioso - "De onde, maior?"
- "Oh pá: não se tá mesmo a ver pá? Lá de fora, pá! Lá de fora!..."
- "Ei.. Tou a ver pá! Muito fixe!..."

E ficava orgulhoso com esta distinção. Mas agora percebo que não, que afinal tenho cara de tuga como todos os outros. Mesmo! Sou um tuga típico e não sabia. O pior é que a autoconfiança masculina baseia-se em coisas muito estupidas, e esta era uma das bases da minha auto-confiança. Vim para aqui, e puxam-me o tapete. Mas não fica por aqui...

A outra coisa em que alguns homems baseiam a sua auto-confiança é na altura. Sim, porque 1.87m em PT é bastante: consigo ver a discoteca da ponta à outra. É um sensação de poder porreira. Sou verdadeiramente o maior... Ou o segundo ou terceiro maior, o que também não é mau.

Contudo, pelas últimas estatísticas que consultei, os holandeses são o povo mais alto do mundo... E se é estranho haver gajos mais altos que eu, é muito mais estranho ver miudas, com pouco mais que metade da minha idade e com mais 10 cm que eu. E não são uma nem duas!

Aqui sinto-me mesmo pequenino...

Zezé Camarinha: és o maior e eu preciso de conselhos teus!!! Plese ajudate this poor tuggy! :)

Abrunhas...

Não sabia que o Abrunhosa também era canhoto... e que também deve ter estado em Amesterdão!

...
Noite após noite, há já muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.

Leva-me contigo,
mostra-me onde estás,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para trás...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.

Homens de chapéu e cigarros compridos
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo não entender.
Loucas são as noites, que passo sem dormir,
loucas são as noites.
Os bares estão fechados já não há onde beber,
este silêncio escuro não me deixa adormecer.
...

Nunca pensei dizer isto Abrunhas, mas tu também és o maior!